Governo Federal investe no
profissional de nível técnico
Tendo como carro-chefe o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado em abril, o Governo Federal investe forte na educação profissional buscando suprir a crescente demanda do mercado por mão de obra especializada. O Rio Grande do Sul ganhará oito novas escolas, conforme anunciou o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Eliezer Pacheco, em audiência pública sobre a Expansão da Rede de Educação Profissional e Tecnológica no RS, promovida pela Assembleia Legislativa. Em nível nacional, conforme informação do Governo, além das 81 unidades que estão em execução e devem ser inauguradas neste e no próximo ano, outras 120 devem ser anunciadas nos próximos meses. “Com as 140 existentes até 2002, mais as 214 inauguradas no último governo, a rede federal deverá contar com cerca de 600 unidades escolares administradas pelos
38 institutos federais de educação,
ciência e tecnologia e um atendimento
direto de mais de 600 mil estudantes,
em todo o País”, destaca a página
do Pronatec.
"Eu acho que há uma simetria, estamos
interagindo – os profissionais
da área técnica, o Congresso e o Executivo –, e o Pronatec vem fortalecer
essa rede de atuação para que se assegurem,
efetivamente, profissionais técnicos
em número suficiente para o desenvolvimento
do País”, ressalta o senador
Paulo Paim. O parlamentar é o
autor da Proposta de Emenda à Constituição,
PEC 24/05, que cria o Fundo
de Desenvolvimento da Educação Profissional
(Fundep). Se aprovado, o Fundo
destinará em torno de R$ 9 bilhões
por ano ao ensino técnico, com recursos
originados pelo Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT). “A proposta
vem da preocupação na manutenção
do investimento, pois nós vamos criando
as escolas, mas depois tem de existir
um fundo permanente para manter
essas instituições de ensino qualificadas,
para as gerações presentes e para
as futuras”, justifica o senador. Paim
ainda considera que esse é o rumo correto
para o desenvolvimento sustentável
do País, o investimento em educação, “e para isso, um ensino técnico é fundamental”, aponta.
Outro entusiasta do Programa é o
vice-presidente da Organização Internacional
dos Técnicos – OITEC –, Técnico
Industrial Ricardo Nerbas, para
quem o fomento à construção de novas
escolas técnicas é exemplo a ser
seguido. “Isso deve ser referência para
outros países, principalmente do
Mercosul, que precisam também valorizar
o ensino técnico”, afirma Nerbas,
ressaltando o dado de que, há pouco
mais de oito anos, existiam em torno
de 140 escolas técnicas no País, e
hoje esse número chega a 400. Paulo
Paim corrobora a informação. “O Governo
Lula investiu muito no ensino
técnico, tendo mais do que duplicado
o número de escolas. Nós costumamos
dizer que o que não foi feito durante
décadas, em termos de investimento
em ensino técnico, foi realizado
em oito anos. E, com a
presidenta Dilma e o Pronatec,
essa preocupação continua.”
O
presidente do Sindicato
dos Técnicos Industriais do RS – Sintec-RS –, Téc. Paulo de Oliveira,
e o do Sindicato dos Técnicos
Agrícolas do Estado do RS – Sintargs –, Téc. Carlos Coelho, são também
defensores do Pronatec. “Apoiamos
este programa, pois permitirá que
todos tenham acesso ao ensino técnico”,
declara o Téc. Oliveira. Para o presidente
do Sintargs, é preciso “aproveitar
a oportunidade para qualificar
ainda mais as nossas escolas técnicas”.
Mercado de trabalho é
favorável, mas exige
conhecimento
E, com o aquecimento na economia
e com os eventos do porte da
Copa do Mundo e da Olimpíada a
serem sediadas no País, as profissões
da área tecnológica são as mais beneficiadas,
com um grande incremento
no número de postos de trabalho,
tanto para os profissionais de nível superior quanto os de técnicos.
A preocupação é de a demanda ser
acompanhada por número suficiente
de profissionais capacitados a ocupar
as vagas.
O senador Paim ressalta o fato de “hoje não se falar em desemprego no
Brasil”, mas destaca as oportunidades
serem para quem tem conhecimento
e formação. “Eu vi ainda esses dias
dados indicando que a maior taxa de
desemprego está exatamente entre os
jovens de 16 a 22 anos que saem das
escolas, ou estão na época de trabalhar – a partir dos 16 anos, pela Constituição
–, só que não têm formação.
E o número de desempregados aumenta
nessa linha. Chega a ser em
torno de 23% de pessoas desempregadas
nessa faixa, como na Bahia, por
exemplo, enquanto a média no País
está em 7%.”
Para o presidente do Sintargs, Téc.
Carlos Coelho, hoje quem faz um curso
técnico tem emprego garantido: “Não há dúvidas de que a falta de mão
de obra qualificada é apontada como
um dos obstáculos à continuidade do
crescimento econômico do Estado e
do Brasil”. A opinião de Coelho é respaldada
pelo presidente do Sintec-
RS, Téc. Paulo de Oliveira. “Precisamos
de novas escolas com cursos alinhados
ao mercado e às necessidades
regionais. Logo, quem decide fazê-los
tem mais chances na hora de conquistar
uma vaga”, afirma.
2º diretor-financeiro do CREA-RS,
o Técnico Industrial Flávio Pezzi acredita
que os investimentos realizados
pelo Governo Federal neste nicho educacional
terão retorno garantido à sociedade. “Esses são profissionais com
atuação em setores essenciais à manutenção
do crescimento que estamos
vivenciando, e é preciso que se potencialize
e se aposte na formação desta
mão de obra, que em alguns setores
ainda é escassa”, destacou o 2° diretorfinanceiro
do Conselho.
Mas, para os presidentes dos Sindicatos,
apesar do esforço conjunto
de Entidades e Governos em valorizar
as profissões de nível técnico, muitas
empresas, públicas e privadas, ainda
não dão o devido retorno em termos
salariais. “Não adianta lutarmos
pela qualificação do técnico, pela garantia
das suas atribuições profissionais
e por mais postos de trabalho se,
no final, o salário recebido não permite
que o Técnico tenha uma vida
digna”, afirma Carlos Coelho. O Téc.
Ricardo Nerbas concorda, dizendo
que “muitos técnicos recebem aquém
do que deveriam”.
Em tramitação, o Projeto de Lei
nº 2861/08, já aprovado no Senado e
nas Comissões da Câmara, fixa o piso
do técnico em R$ 1.940, corrigido
a cada ano com base no Índice Geral
de Preços – Mercado (IGP-M), calculado
pela Fundação Getulio Vargas. “Estamos trabalhando com afinco
pela aprovação da Lei do Piso”, enfatiza Paulo de Oliveira.
Assessoria de Imprensa SINTARGS: 10.08.2011
Reproduzido de CONSELHO em Revista - CREA-RS - agosto de 2011 - páginas 22 e 23.
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